MEIA ARRASTÃO: ELAS ESTÃO DE VOLTA E COM UM NOVO CONCEITO!

MEIA ARRASTÃO: ELAS ESTÃO DE VOLTA E COM UM NOVO CONCEITO!

A verdadeira história da meia arrastão ainda é um pouco obscura. Mas tudo indica que houve uma certa inspiração nas redes de pesca, já que em 1973 o filósofo Roland Barthes escreveu em seu ensaio The Pleasure of the Text, sobre o erotismo do visto e do invisível, que as redes de pesca encarnam. A meia arrastão tornou-se popular na década de 1920, com garotas ousadas que circulavam pelas noites. Nos anos 80, teve sua embaixadora, a cantora Madonna, que abusou dessa peça nos palcos de todo o mundo.

Hoje, a peça está de volta e com uma cara nova. Em diversas proporções, texturas e cores, a meia arrastão ainda demonstra uma mulher com atitude mas com um certo requinte. A meia arrastão de hoje, nos mostra como a mulher pode estar moderna e elegante e como essa peça pode ser algo versátil com o passar dos anos.

Beijos e até breve,

Dayse B.
MODA NO BRASIL: UMA QUESTÃO DE BOLSO

MODA NO BRASIL: UMA QUESTÃO DE BOLSO

Ilustração: Sunny Gu

E se você visitasse um lugar onde a moda está nas ruas de uma maneira justa, onde todos têm acesso às novas tendências pagando bem menos do que você pagaria no Brasil? E se além de lhe oferecer um preço baixo para andar dentro dessas tendências, vindas das principais passarelas do mundo, esse lugar ainda lhe desse acesso às mais diferentes formas de ver e entender esse mundo fashion? Sim, esse lugar existe. Sabe o que eu mais gosto em relação à vida aqui em Londres? Justamente o fato de poder ver diferentes coisas acontecendo ao mesmo tempo e que, talvez, se eu estivesse morando no Brasil, eu não veria tão cedo. Mas também não posso negar que, com a internet e a globalização em todos os cenários do nosso cotidiano, as informações e as vitrines internacionais têm se mostrado mais próximas do brasileiro do que a gente imagina. Mas uma coisa eu só me dei conta quando eu mudei pra Londres. Tendências e o famoso “tá na moda” passa tão rápido que nem consigo ter tempo para digerir o que me foi apresentado no mês anterior. Foi aqui que realmente entendi o conceito de fast fashion e por que essa necessidade de renovar o guarda-roupa é tão mais presente na minha vida aqui do que no Brasil.

Londres é um loucura. Ao mesmo tempo que você vê uma japonesa de cabelo rosa, andando pela Oxford Street cheia de atitude, com um bolsinha discreta da Chanel, você também encontra aquela típica inglesa, com uma máscara de cílios poderosa, um blush na cor bronze para dar um up nas bochechas e é claro, uma boca nude. Mas o engraçado de tudo isso, é que você vê em Londres não apenas as diferenças de tribos dentro da moda, mas também essa diferença em termos financeiros, onde todos podem ter acesso ao produto do momento. Eu me lembro bem quando as jaquetas coloridas chegaram ao Brasil. Eu ainda estava lá e me lembro de ver essas peças sendo vendidas por mais ou menos R$ 230,00 em uma loja de departamento. Eu queria muito uma jaqueta dessa na época, mas eu não podia abrir mão de outras prioridades para comprar uma jaqueta desse preço.

Alguns anos depois,  fiz minha primeira viagem a Londres, comecei a perceber como as lojas no Brasil, mesmo aquelas que deveriam ser mais baratas, se tornam caras em função das tendências. É claro que você deve estar lendo este post e pensando: “mas é claro que no Brasil tudo é mais caro e no exterior as coisas são mais em conta, pagamos bem mais impostos.” Mas a reflexão que faço aqui é justamente outra: Por que o Brasil, que tem um público que consome moda e que gosta de estar por dentro das novidades, ainda dificulta o acesso a elas? É difícil pensar sobre isso sem pensar na questão do “eu tenho, logo posso.” Sim, o brasileiro gosta disso. Até mesmo as lojas de departamento abraçam essa filosofia e se prendem aos preços que nos dão a sensação de poder e que iludem o nosso ego quando falamos quanto pagamos por uma determinada camisa que “está na moda”. É claro que a moda se arrasta por alguns meses no Brasil. Eu nunca tinha pensado nisso, mas a tal “queima de estoque” aqui em Londres parece uma coisa eterna. Meu marido me disse algo uma vez e é a pura verdade: “No Brasil vocês têm uma única estação não só na maior parte do ano, como também na maior parte do país. Isso favorece as lojas e todo o estoque pode ser vendido o ano inteiro.” E não é que ele está certo? E vamos falar a verdade, comprar roupas novas e andar na “moda” aqui em Londres é algo tão possível em termos financeiros, que demorei entender por que eu fiz questão de trazer tanta roupa do Brasil (arrependimento no ar…).

Estou morando em Londres há um ano e quatro meses e o que tenho percebido é que, a cada nova tendência, as lojas de departamento fazem questão de facilitar o acesso do público ao produto; seja Zara (uma fast fashion mais pomposa) ou Primark (uma loja de departamento com um preço que faz qualquer turista desconfiar se ele está pagando o valor certo pela peça – muito barata mesmo). Apenas dois exemplos das milhares de lojas que encontramos em Londres.

Eu acredito que o imposto cobrado é apenas um dos vilões responsáveis pelos preços das roupas vendidas no Brasil. A facilidade de parcelamento também ajuda quando a questão é pagar um valor abusivo por roupas básicas. Quem nunca pagou um valor um pouco acima em uma roupa e sentiu um alivio ao saber que poderia pagar mensalmente? Infelizmente, isso é tudo uma grande ilusão. Sem contar que muitas dessas marcas são acusadas de trabalho escravo e se engana quem acha que que essas acusações pertencem apenas às empresas do ramo de departamento.

 A sensação que tenho é que nunca poderemos fazer as nossas escolhas apenas pelo nosso estilo de vestir ou pela nossa vontade. As condições para “andar na moda” no Brasil ainda depende do que estará mais em conta (mesmo não sendo algo que gostamos) e de muitas outras prioridades, que vão além do simples fato de exercermos o nosso lado feminino.

Com um cenário em crise e com vários desempregos, tenho percebido que muitas lojas têm feito uso das redes sociais, blogs e dos e-commerce para vender. Muitas delas têm oferecido descontos e prometem uma qualidade como  justificativa para o preço. E qualidade, meu caro leitor, é algo que eu me orgulho de saber que o brasileiro tem exigido. Em uma era de blogs e youtube como ferramentas para publicidade, só sobrevivem aquelas empresas que seguem as “três dicas de amiga”: preço justo, tendência e durabilidade.  

Beijos,

Dayse B.